Declaração do secretário Antony J. Blinken à imprensa

ANTONY J. BLINKEN, SECRETÁRIO DE ESTADO

CENTRO DE CIÊNCIAS DE LUANDA

LUANDA, ANGOLA

25 DE JANEIRO DE 2024

SECRETÁRIO BLINKEN: É um prazer especial estar aqui no novo museu de ciências de Angola, para ter a oportunidade de ver o museu.  Consigo ver as gerações de jovens Angolanos que virão aqui para se inspirarem, para terem os olhos abertos, talvez para escolherem carreiras na ciência e para contribuírem para o incrível depósito de conhecimento humano. É uma instalação maravilhosa, mas também, penso eu, um símbolo de duas áreas de colaboração entre os Estados Unidos e Angola que me entusiasmam muito e que estamos realmente a perseguir e a aprofundar. Um deles é o facto de Artemis ser agora o terceiro – desculpem-me, Angola é agora o terceiro país africano a aderir aos Acordos de Artemis para a utilização pacífica do espaço. E podemos ver o potencial extraordinário, parte do qual já está a acontecer através de colaborações existentes com a NASA, mas só será reforçado por Angola como parte da Artemis, em termos de resposta a algumas das necessidades mais prementes aqui em Angola, incluindo a mitigação de secas, incluindo a irrigação de solo e culturas, e trabalhando no uso e gestão eficazes da água. Muito pode ser feito a partir do espaço utilizando dados geoespaciais, e a colaboração que teremos agora entre os Estados Unidos e Angola só irá fortalecer esses esforços e essa parceria.

Em segundo lugar, e de forma relacionada, estou muito satisfeito por Angola se juntar como um dos primeiros parceiros na nossa iniciativa VACS, Visão para Culturas e Solos Adaptados. O poder aqui é este: como temos lidado com o tipo de insegurança alimentar nos últimos anos e temos visto uma tempestade quase perfeita entre as alterações climáticas, a COVID, conflitos como a agressão russa contra a Ucrânia, e o impacto que eles têm que tivemos em matéria de segurança alimentar, uma das coisas que ouvi repetidas vezes, especialmente em África, é que por todos os agradecimentos que recebemos pela ajuda de emergência que conseguimos fornecer – quer directamente quer através das Nações Unidas, como o Programa Alimentar Mundial – o que os nossos parceiros realmente pretendem é investir na sua própria capacidade produtiva sustentável. E no centro disso está garantir que eles tenham o sistema mais forte possível para a produção de alimentos. E uma das coisas que entendemos é que tudo realmente começa com duas coisas muito básicas: as sementes e o solo.

Aqui em África, e aqui em Angola, quando olhamos para algumas das sementes tradicionais em que os africanos têm confiado – e aqui talvez seja a mandioca, talvez seja o milho-miúdo, talvez seja o sorgo, incrivelmente nutritivo e que agora pode tornar-se ainda mais resistente a a devastação das alterações climáticas, aos ciclos de secas e inundações e outros fenómenos meteorológicos anormais – quando temos sementes de alta qualidade e depois as colocamos em solo de alta qualidade, e agora temos a capacidade de mapear solos em qualquer parte do mundo e compreender onde é forte e saudável, onde não é e como remediar isso – juntamos estas duas coisas e temos uma base agrícola muito mais forte, sustentável, resiliente e nutritiva. E então chegamos ao ponto em que África está a alimentar-se a si própria e, na verdade, provavelmente a alimentar outras partes do mundo.

Essa é a visão por trás do VACS, e é essa a parceria que estamos agora a construir com Angola como um dos nossos primeiros parceiros no VACS. Portanto, este parecia ser um local adequado para enfatizar essa colaboração – ambos novos patamares no espaço, mas também aqui mesmo na Terra – e para demonstrar como estas duas coisas estão ligadas. Por isso estou entusiasmado por poder estar aqui no museu para pensar, mais uma vez, nas gerações de angolanos que virão para cá, com os olhos abertos para a ciência, para a exploração, para usar o engenho humano para resolver problemas.

E por último, fundamentalmente, no centro de todas as nossas parcerias, incluindo a parceria com Angola, está a partilha e transferência de conhecimento. Porque, por mais importante que seja a assistência, por mais importante que seja o investimento, é essa transferência de conhecimento – a partilha de conhecimento, a partilha de compreensão – que desenvolve genuinamente a capacidade nos nossos países parceiros e permite-lhes manterem-se firmes e independentes.

Muito obrigado.